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GUIMARÃES (PORTUGAL)

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  A Vieira está lá, no meio da Praça de Santiago. Finalmente, a achei. Pus meu pé ao lado dela e tirei uma foto. Meus pés estiveram no caminho nesta viagem, mas do que normalmente. Os dias e os momentos em que estive só, andei o que pude. Foi assim em Porto, caminhando do Terminal dos Leixões, premiada como obra do ano na arquitetura européia, até à Foz do Douro e daí à Ponte da Arrábida. Foi assim em Guimarães, conhecida como “o Berço da Nação Portuguesa”, pois foi o centro do Condado Portucalense, que antecedeu a fundação do Reino de Portugal por D. Afonso Henriques, seu primeiro Rei. As Vieiras, símbolos que marcam a rota dos peregrinos no Caminho de Santiago, estão em outras ruas do centro histórico de Guimarães, gravadas nas suas pedras, que podem ter mais de 1000 anos, como a cidade (exatamente 1070 anos em 2020). Por sua importância na história de Portugal e por sua preservação e beleza, o centro histórico de Guimarães foi declarado Patrimônio Cultural da Humanidade em 2001....

O CÉU DE LISBOA

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“O Céu de Lisboa” é o título de um filme de Win Wenders, cineasta mais conhecido por Paris, Texas, Asas do Desejo ou Buena Vista Social Club. É a estória de um engenheiro de som que vai a Lisboa para encontrar um cineasta alemão e o ajudar na sonorização de um filme em construção. No entanto, ele não consegue encontrá-lo, mas na sua busca grava sons da cidade, lê a poesia de Fernando Pessoa e conhece o grupo musical Madredeus, apaixonando-se pela sua cantora, Teresa Salgueiro.   Muitas cenas do filme se passam em Alfama, bairro famoso pelas muitas casas de fado, gênero musical que o Madredeus reinventa na sua música, ao mesmo tempo tradicional e contemporânea. Quando se chega à Lisboa pelo mar, ou pelo Tejo, rio que se confunde com o mar na sua foz, se aporta em frente ao bairro de Alfama, no atual Terminal de Cruzeiros. Assim Pessoa descreve essa chegada:     “Para o viajante que chega por mar, Lisboa, vista assim de longe, ergue-se como uma bela visão de...

PELA JANELA DE UM TREM ÀS MARGENS DO DOURO

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Setembro evoca viagens. Setembro evoca paisagens novas. Setembro evoca paisagens que passam pela janela de um trem. Estou na estação de trens de Campanhã na cidade do Porto, Portugal. Aguardo um trem para Peso da Régua, cidade às margens do rio Douro. Enquanto isso, leio um texto intitulado “Inventário de Setembro”. Certo trecho diz: “O sono é uma pequena morte. Dentro dele pode se sonhar os anos futuros. Mesmo aqueles que já não habitaremos”. (Inventário de Setembro). Para os franceses a “pequena morte” é aquele instante de cansaço e desfalecimento que sucede ao prazer orgástico. Seria então o pós-orgasmo o sono que sucede à plenitude efêmera do desejo? Um sono povoado por sonhos, um cansaço bom, uma pequena morte com direito ao retorno à vida. “Andamos todos perdidos nas grandes cidades do nosso tempo, à procura de uma porta de saída. Se tivermos a sorte de encontrá-la, pode acontecer de percorrer com novos olhos uma geografia de afetos perdidos que embalará ...

VIANA DO CASTELO - Visão Esplendorosa a partir do Monte Santa Luzia

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“É manhã clara, mas o viajante ainda não se levantou. É de propósito que atrasa o momento em que abrirá as duas janelas do quarto. Faz demorar o gosto com que está contando desde que, noite fechada, chegou ao hotel. Talvez receie, também, uma decepção, a luz entra pelas frinchas, coada e aqui se aperta o coração do viajante: Estará nevoeiro? Salta da cama indignado com a simples ideia da miserável desfeita que seria ver coberta de nevoeiro a paisagem de Santa Luzia, e num repente abre a primeira janela, a que dá para o mar, e fica iluminado de gosto e de pasmo diante do esplendor das águas, a costa brumosa, o encontro do rio e do oceano, o cordão de espuma das vagas que vêm do largo e se desfazem na praia. A outra janela faz ângulo reto com essa, o quarto é de esquina, vida e boa sina, há mais paisagem a espera. E para esta não vão chegar palavras, nem pinturas, nem música. Sobre o largo vale do Lima paira uma névoa luminosa que o sol faz reverberar por dentro como um esplendor. ...